Quando falamos "tarefa" na Clínica Psicopedagógica, dizemos de toda atividade em que o paciente se embrenhe e produza como forma de aprendizado. Planejar e executar e as nuances mínimas, porém importantes desse movimento, são mobilizadoras do sentimento de capacidade do sujeito aprendente.
Quando um paciente chega a clínica, após a avaliação diagnóstica e a produção da caixa de trabalho, costumo propor uma busca por aquilo que o sujeito gosta e o que poderia ser feito a partir disso.
R. tem apenas 6 anos, de acordo com ela 7, pois daqui a 2 dias faz aniversário. Veio a Clínica por dificuldades em se alfabetizar e também por sentir-se (já!) um tanto incapaz diante daquilo que lhe era solicitado.
R. como toda menina de sua idade adora recortar, colar, e fazer coisas "fofas" de preferência com a cor rosa. E assim foi: algumas sessões foram para planejar: o que colar, o que cortar, qual será o produto final? Depois de decidido esses detalhes, passamos a execução: como fazer cada uma das coisas que foram pensadas?
Ao final de sua produção (um céu a noite) ficou muito orgulhosa, a ponto de planejar (agora sozinha) fazer o dia também. Só havia um problema- posto por mim logicamente: todo mundo que via sua produção perguntava o que era e quem fez. Diante da colocação, respondeu R: "Vamos escrever então! Assim você não precisa ficar repetindo, repetindo, toda vez que alguém pergunta".
A necessidade se fez. O desejo se impôs. Uma barreira caiu!
Espero que meus colegas tenham reconhecido aqui: Jorge Visca, Pichón Rivier, Sigmund Freud, Emília Ferreiro em minhas interpretações.
Esse espaço tem como objetivo publicar algumas situações/vivências da clinica Psicopedagógica.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Aprender o que?
Entendo que aprender é um movimento constante, contínuo, sem fim, interminável que acontece em todos os lugares com todas as pessoas. Aprendemos quando vamos ao supermercado, quando nos casamos, temos filhos, lemos uma revista, conversamos com o vizinho. Mas para que isso aconteça precisamos estar abertos!
Imaginem vocês se houvesse uma pessoa responsável por nos dizer o que vai bem ou mal em cada uma dessas situações? E ainda mais, que cada erro fosse mais valorizado que o acerto?
O caminho supostamente errado nos corredores do supermercado, o olhar recriminador para o marido no jantar de família, as páginas puladas da revista, a indelicadeza com o vizinho, tudo apontado numa caderneta, transformado em notas abaixo do esperado.
Como estar aberto diante de tantas censuras?
A maioria das crianças e jovens que chegam a Clínica Psicopedagógica marcados por essas recriminações, acreditando que não são capazes de seguir em frente em suas aprendizagens. Nesse momento cabe ao Psicopedagogo, mais do que diagnosticar/classificar a dificuldade de aprendizagem, resgatar o sujeito aprendente.
Julia (nome fictício) é mais uma dessas crianças que "não consegue, não sabe, não aprende". Nega-se a ouvir uma orientação, obviamente porque a maioria que ouviu até então estão relacionadas a sua não aprendizagem. Neste momento me pergunto "o que ela sabe fazer? o que ela gosta de fazer? pelo que se interessa?"... Tintas! Paisagens! E a partir das tintas abre-se para a discussão de cores a serem utilizadas numa tela, para técnicas de pintura que ainda não conhece, para a voz do outro que a orienta para aprender uma coisa nova a partir de seu centro de interesse.
Produção de Julia, 11 anos.
Interessante que após algumas sessões a escola e a família a percebe mais ouvinte das orientações para fazer uma tarefa ou estudar.
Talvez aí reside o ponto no qual a clínica deve movimentar-se- OUVIR!
Claro que aprendi isso com outro (s)....
domingo, 22 de julho de 2012
DEMANDA- Você tem fome de quê?
Dois meses se passaram sem nenhuma postagem.... O que aconteceu? Simples, muito trabalho: Demanda! E que demanda!!! Fome de que? Demanda de que?
As escolas encaminham pacientes e seus familiares que buscam na clínica Psicopedagógica uma tábua de salvação. Pouco imaginam eles o processo pelo qual é necessário passar para obter um fragmento da possível resposta (que na minha humilde opinião nem é possível responder) para os problemas enfrentados.
A fome das famílias é tanta que muitos acreditam que em uma sessão ou entrevista preliminar iremos dar essa suposta solução. Mas, um longo e árduo processo se inicia, dolorido até.
Serão de 6 a 8 sessões com a criança/adolescente, 2 reuniões com pais ou responsáveis, uma visita a escola e no final um laudo por escrito sobre as impressões. No mínimo 2 meses de processo. E ainda há continuidade do mesmo na maioria dos casos. Ou ainda encaminhamentos para outros profissionais.
A fome parece que vai diminuindo.... Muitas famílias não creem que a persistência trará resultados. Outras famílias simplesmente preferem deixar desse jeito, já que o outro é mais delicado, complicado e requer mudanças. Fome? Que fome? A demanda passou para muitos. Para outros o desejo de permanecer aconteceu e o trabalho realmente começa agora. E a fome desses será entendida, por eles mesmos.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
O Letramento Infantil
Este texto foi escrito em parceria com uma amiga e colega, Andrea, em prol de uma alfabetização de qualidade.
Pré-Escola
Ursinho Pimpão
Aqui se Aprende Brincando!!!
www.ursinhopimpao.com.br
Desde 1986
O Letramento Infantil
A Educação
Infantil constitui-se como uma ambiente em que as crianças estão constantemente
sendo estimuladas a entrar em contato com as mais diversas áreas do conhecimento,
dentre elas a Linguagem Oral e Escrita.
Gradativamente,
ao longo da Educação Infantil, a criança vai se apropriando do código escrito e
realizando suas próprias tentativas de leitura e produção escrita, as quais são
carregadas de significado e ricas em hipóteses, uma vez que começa a pensar
sobre a escrita, a se questionar para que as letras servem e como usá-las.
Para que este processo
de aprendizagem ocorra de forma agradável, cabe à escola e família criar um
ambiente estimulador, em que a criança possa entrar em contato com o mundo
letrado nas mais variadas situações como: escrita coletiva, nomeação dos
objetos, leitura de histórias, etc.
Toda esta
estimulação deve ser feita através do uso da letra de imprensa maiúscula, a
qual é de fácil reconhecimento e de fácil produção por parte da criança que não
precisa dominar uma série de movimentos
elaborados da letra manuscrita, que nesse momento só vem a prejudicar o
processo de alfabetização Além do mais a letra manuscrita maiúscula é mais
socialmente utilizada.
Sendo assim,
durante todo o período da Educação Infantil, nem a escola e nem a família deve
cobrar da criança que ela conheça e se aproprie do traçado da letra manuscrita,
já que a mesma possui uma grafia diferenciada que exige muito mais do aluno no
que se refere a coordenação motora fina. Também é importante ressaltar, quando a
criança visualiza palavras registradas com a letra de imprensa maiúscula, ela
tem plena percepção visual do início e do fim de cada letra, o que não ocorre
com a letra manuscrita, já que as mesmas
estão todas unidas, e desta forma o aluno não tem visualização o início e final
do traçado da cada uma delas.
No processo de
apropriação da leitura e escrita, a criança deve ter sua atenção voltada a um
único desafio, que é o de identificar e compreender gráfica e foneticamente
qual é a letra correta que deve ser utilizada em sua escrita. Fazer com que a
criança escreva em letra manuscrita, nesta etapa do desenvolvimento, é
sobrecarregá-la, além do desafio de decodificar o código escrito (sons,
símbolos e junções), ela ainda possuirá o desafio motor em escrever a letras
que possuem em traçado mais complicado, sendo este um inibidor nos avanços e
aprendizagens. Segundo Ferreiro, (apud nova escola, 1996, p. 11) começar a
alfabetização com letra bastão é uma tentativa de respeitar a seqüência do
desenvolvimento visual e motor da criança.
Nos anos
iniciais do Ensino Fundamental, ainda ocorrerá o trabalho com a letra de
imprensa maiúscula, sendo que gradativamente a escola vai oportunizando aos
educandos o contato com a letra manuscrita, mas nesta etapa do desenvolvimento
infantil, a criança já está bem mais segura em sua aprendizagem, ou seja, tendo
maior domínio do código letrado. Desta forma, o traçar a letra manuscrita será
um desafio meramente motor, o que lhe dará maior confiança. Corriqueiramente
nos antecipamos e apresentamos a letra manuscrita antes do tempo ideal e muitas
vezes as crianças acabam por interromper momentaneamente o processo de aprendizagem
da leitura e da escrita para ocupar-se com algo menor, que é o traçado da
letra, nesta situação temos uma perda significativa no aprendizado, já que a
criança cessa suas hipóteses e canaliza suas energias no traçado da letra.
Vale ressaltar,
que em muitas instituições de ensino ocorre a exigência que a letra manuscrita deve
ser escrita da forma correta, e antecipar esta aprendizagem faz com que a
criança escreva de maneira alfabeticamente
(conjunto de sons associado a símbolos adequados- letras ) incorreta, o que
comprometerá o ritmo e a qualidade de sua produção. Mas se a criança percorrer
todas as fases da aquisição da leitura e da escrita, no Ensino Fundamental terá
maior capacidade e domínio da forma correta de se escrever a letra manuscrita,
o que conseqüentemente não acarretará em vícios que a prejudicarão futuramente.
Andrea Mara
Bella Cruz -Pedagoga
Raquel Romano-
Psicopedagoga
terça-feira, 17 de abril de 2012
Laudo Psicopedagógico
Muitos estudantes perguntam e colegas debatem sobre o laudo Psicopedagógico. Em minha experiência aprendi que alguns aspectos são importantes, outros são específicos do caso. Veja um laudo escrito por mim em 2010.
Costumo me referir ao laudo como uma "fotografia" do momento pelo qual o sujeito aprendente está passando.
Costumo me referir ao laudo como uma "fotografia" do momento pelo qual o sujeito aprendente está passando.
Informe
Psicopedagógico
I) Dados de
identificação
Nome:V.
Idade: 12 anos e
6 meses
Sexo: Feminino
Escolaridade: 4ª
série do Ensino Fundamental de 8 anos
Data da
avaliação: ----/11/2009 a ----/01/2010
II) Motivo da Procura
A mãe da adolescente V. procurou a
AvaliaçãoPsicopedagógica devido a percepção de algumas dificuldades encontradas
pela mesma durante sua escolaridade, pricipalmente no que diz respeito a falta
de atenção e interesse pelos estudos. V. demonstra ainda, de acordo com a mãe,
uma lentidão para aprender.
Técnicas e estratégias utilizadas:
·
Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem,
·
Provas Pedagógicas,
·
Provas Piagetianas,
·
Provas Projetivas Psicopedagógicas,
·
Atividades lúdicas,
·
Análise do Material Escolar,
·
Anamnese.
III) Imagem do sujeito
A dificuldade de V. foi percebida no
início de sua alfabetização. No seu primeiro ano escolar formal já foi pontuado
à família a suposta dificuldade e desde então vem sendo investigada pela mesma
em diferentes especialistas. Num
primeiro momento, essa dificuldade era mais pontual no processo de aprendizagem
da leitura e da escrita e poderá estar associado a essa dificuldade inicial o
fato da cliente começar a falar aos 3 anos e meio e somente após entrar na
escola de Educação Infantil. Atualmente a dificuldade relatada pela mãe é mais
global, atingindo diferentes áreas do conhecimento.
V. fez outras diferentes avaliações entre 2006 e 2008. Incluindo:
neuropsicológica, neuropediatrica, oftalmológica, psicológica e
psicopedagógica, nesta ordem. Iniciou intervenção com o método PEI em meados de
2007.
Neste processo de avaliação chegou
ao consultório muito solicita e colaborou, fazendo prontamente o que lhe era
pedido. Apesar de muitas vezes precisar de um estímulo para começar e/ou terminar
as atividades propostas, perdendo facilmente a atenção, não depositando assim toda
a energia necessária para produzir adequadamente.
Na maioria das propostas demorou para começar, tendo como consequência
uma demora maior do que a esperada para terminar. Dispersou-se com facilidade e
sua atenção concentrada não foi o suficiente para uma produção de
qualidade. Muitas vezes precisou de
intervenção e respondeu muito bem diante de estímulos positivos.
Afetivamente mostra um bom vínculo
com a aprendizagem assistemática, interessa-se por aprender coisas diferentes,
utiliza da criatividade e de iniciativa para resolver problemas cotidianos.
Sente prazer em produzir e orgulha-se de suas produções. Mas esses sentimentos
positivos são observados em situações onde os objetos de conhecimento não estão
organizados de uma forma acadêmica.
Os vínculos demonstrados com a
aprendizagem sistemática (escolar) são negativos, deposita no outro (professor) o conhecimento
e a capacidade de aprender, afastando de si o saber. Sente-se inferiorizada,
inapta para produzir de acordo com aquilo que lhe é requerido na escola.
As provas piagetianas tem como
objetivo indicar o grau de aquisição de
algumas noções importantes para o desenvolvimento cognitivo, determinando o
nível de pensamento alcançado e ainda o nível de estrutura com que opera.
Vitória deveria estar no último nível de desenvolvimento cognitivo, ou seja, no
pensamento formal hipotético-dedudivo. Essa última etapa inicia-se na
adolescência e é um alçar vôo ao pensamento, onde deveria ser capaz de resolver
problemas através de diferentes situações, levantando hipóteses e
formulando um pensamento na qual se expõe o que se pretende provar, estabelecer
além de discutir com precisão, objetividade, sistematização, organização e
flexibilidade de pensamento. Mas Vitória se encontra na fase anterior, a operatória
concreta com resquícios da fase pré-operatória.
A fase operatória concreta tem como
característica a capacidade de solucionar um problema proposto através da ação
mental e a fase pré-operatória a resolução de problemas se dá através da ação
física. V., em alguns momento, utiliza a operação mental e em outros precisa do
material concreto para resolver os vários problemas propostos.
Diferentes provas foram aplicadas em V., começando com as apropriadas
para a faixa etária cronológica, as quais não se saiu bem. Retomando cada uma
das dimensões cognitivas (conservação, classificação e seriação) pode-se notar
que em diferentes situações ela consegue ter sucesso quando incentivada através
de estímulos positivos e mediações como a repetição da pergunta e indicativos
de caminhos mentais para operar.
Os conteúdos escolares investigados foram lógica, cálculo mental, sistema
de numeração decimal, algoritmo das operações, resolução de problemas, produção
escrita e leitura e interpretação. Um
indicativo que se repete em todos os conteúdos é o tempo utilizado pela Vitória
para começar a tarefa e terminá-la além da necessidade de constante intervenção
para que consiga executar as atividades propostas.
Em diferentes situações ela se mostrou desmotivada, dispersava-se com
facilidade e precisava de orientação diretiva do que e como fazer.
Em lógica teve a necessidade de repetir várias vezes o mesmo movimento do
jogo para compreender e ao perder desistiu de tentar. Lê e escreve corretamente
números com cinco algarismos sendo as três primeiras casas (dezena de milhar,
unidade de milhar e centena) ocupadas por números maiores que 0, já em
números com as casas das dezenas e
centenas ocupadas por zero não acertou. Possui poucos esquemas para calcular
mentalmente, o que dificulta na execução dos algoritmos matemáticos básicos
(adição, subtração, multiplicação e divisão), disse não saber resolver divisões
com dois algarismos no divisor. Quando questionada como resolveu cada uma das
propostas descreveu suas ações, após questionada sobre cada movimento, antes
disso relatou não saber explicar o que fez.
Em linguagem, leu um texto que trouxe sobre um filme e um jogo de
computador. Mesmo tendo lido mais de uma vez, ao questionada equivocou-se com
os dados do texto (que era informativo). Já com o texto narrativo conseguiu
estabelecer relações, compreender o sentido global do mesmo, entender a
seqüência temporal linear, separar fatos principais e secundários porém não
estabeleceu relação de casualidade entre os fatos. Todas as questões foram
colocadas para ela de forma oral.
Sua leitura oral é pontuada corretamente, com entonação adequada, com
algumas omissões de pontuação o que acarreta junção de frases. Sem deslocamento
de letras, sílabas, palavras ou frases.
Quando solicitada para produzir um texto escrito, demora consideravelmente
para iniciá-lo, apaga-o e ao final produz somente um parágrafo, com erros
ortográficos, gramaticais e de coerência anteriores a sua escolaridade. Ao ser
comparado com suas produções da escola pode-se notar que as da última são
melhor elaboradas.
V. apresenta características de déficit de atenção interdependente de
questões afetivas e cognitivas. Ninguém pode aprender mais do que sua estrutura
cognoscente permite, tampouco consegue avançar em suas aprendizagens com os
vínculos afetivos inadequados.
IV)
Indicações:
- Atendimento Psicológico familiar,
- Atendimento Psicopedagógico,
- Avaliação neurológica.
V) Prognóstico:
Sabemos que entre as indicações
ideais e as possibilidades reais há uma diferença. Diferença esta que deve ser
levada em conta em respeito a família envolvida. Todas as indicações são
importantes porém a família deverá ter
persistência a partir da escolha feita, poupando V. de mais avaliações
desnecessárias e oferecendo a ela o melhor suporte possível.
_________________________
Raquel Romano de Lima
Pedagoga/Psicopedagoga
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Televisão- distante visão do que?
Televisão, para minha surpresa, significa tele (distante) e vision (visão). A televisão é uma distante visão que se tem das coisas postas ali. Se está distante, pode diferir consideravelmente do que é de fato e causar uma distorção da realidade transmitida. A partir dai podemos abrir uma reflexão sobre essa influência (de visão distante) na vida do sujeito aprendente.
J. tem 7 anos e um iphone. Não sabe ler e escrever muito bem, mas baixa aplicativos como ninguém.
J. tem 7 anos e um iphone. Não sabe ler e escrever muito bem, mas baixa aplicativos como ninguém.
B. tem 10 anos e a coleção completa das bonecas vampiras. Seu relacionamento na escola não é muito bom, mas sua persuasão com os adultos é bem interessante.
F. tem 12 anos. Acabou de ganhar um laptop, melhor que esse que eu uso, de acordo com ele. Sua capacidade lógica deixa a desejar, mas já publicou seu perfil em todas as redes sociais.
Podemos concluir, então, que a televisão destrói a linha divisória entre infância e idade adulta de três maneiras, todas relacionadas com sua acessibilidade indiferenciada; primeiro, porque não requer treinamento para apreender sua forma; segundo porque não faz exigências complexas nem a mente nem ao comportamento; e terceiro porque não segrega seu público.
Neil Postman. O desaparecimento da infância. p. 94
quinta-feira, 29 de março de 2012
Psicopedagogia e Psicanálise- Encontros possíveis e influências (in) diretas.
Estava eu a pensar, pra variar.... A Psicopedagogia é algo que diz do diagnóstico, do laudo, da certeza de alguma coisa achar na investigação dos processos de aprendizagem do sujeito. Até aí, tudo bem. Mas tem um resto, nem sempre o que encontramos é o que deseja ser encontrado. Nem sempre o diagnóstico é possível e para mim é sempre questionável, pelo simples fato que, todos os meus pacientes que entraram em trabalho, após o diagnóstico, muitas outras coisa mais importante se postaram, acima e além do diagnóstico. Já a Psicanálise, põe dúvida, ouve onde não é dito (atos falhos, chistes...), vê cada sujeito como único, sem pressupor nada a seu respeito, muito menos o enquadramento dentro dessa ou daquela patologia da aprendizagem. E para culminar, meus pensamento se deparam com os do Leandro de Lajonquière em Infância e Infanticidio:
O falar de das necessidades e interesses da criança é uma falaespecialista. Os especialistas crêem saber, graças a elucubrações científicas de ocasião, sobre as necessidades e interesses “da criança” ou de uma criança genérica. Em nome desse saber genérico, falam da criança a outros, ao Outro. Quando dirigem a palavra a uma criança, o fazem inevitavelmente em nome desse saber sem nome próprio. Portanto, não falam com uma criança. Este outro falar está em função do reconhecimento, por parte do velho, da própria implicação subjetiva em uma educação, quer dizer, de como é perlaborado aquele estrangeiro ao “si mesmo adulto”que o des/encontro com o pequeno ser realimenta.
Aqui Leandro nos chama a atenção sobre uma postura muito comum entre nós educadores: o de tratar a criança como estrangeira, aquela que pouco ou nada sabe desse mundo. Nós, especialistas, corremos o risco de falar da criança e não para a criança.
Penso então aqui na diferença entre Psicopedagogia e Psicanálise. A Psicopedagogia, na sua maioria das vezes fala da criança- isso ocorre quando escrevemos um laudo, "encaixamos" a criança nesta ou naquela listagem de sintomas da aprendizagem a fim de ter uma ideia "sobre" ela e não com ela. Criamos sistemas de intervenção e juramos que é único, para aquela criança, mas na verdade é um apanhado de fazeres já feitos, que visam abrandar o sintoma. Faço essa crítica a mim mesma, que muitas vezes sou pega por essa armadilha pedagógica.
Já na Psicanálise, tiramos nossas gravatas, como diria Lacan, e buscamos falar com a criança. E junto com ela, investigamos seus fantasmas, procuramos entender a formação de sua estrutura e propiciamos uma escuta atenta a tudo que ela trás. Independente de seu diagnóstico Psicopedagógico.
Dá certo? Ah, dá!! Cada dia que passa vejo que, com embasamento, discussões em pares, leituras e busca constante, dá certo!
terça-feira, 20 de março de 2012
Fantasia e aprendizagem
A fantasia habita o mundo infantil de tal forma que ela mesma se confunde/funde com a realidade vivida. E essa fantasia, em alguns casos, pode influenciar positiva ou negativamente no processo de aprender.
De acordo com Laplanche, em seu dicionário de psicanálise, fantasia é
"... Roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de
modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos a realização de um
desejo e, em última análise, de um
desejo inconsciente."
Se analisarmos essa definição do ponto de vista da clínica psicopedagógica, podemos ver claramente que a representação da realização do desejo se confunde com o desejo de aprender/viver novas experiências.
Vejamos o caso de K., 7 anos, que chegou a clínica com dificuldade de ler e escrever. Com o passar do tempo, várias questões foram se somando a essa simples queixa: K. tinha uma irmã mais nova, muito querida pela família e com a chegada dessa irmã voltou a usar fraldas e se comportar como um bebê. Com o passar dos anos, atualmente a irmã tem 2 anos, esses comportamentos foram controlados pela própria mãe que os proibia fortemente.
K. deslocou seu sintoma, ao invés de produzir suas fezes em lugar inadequado (fraldas), e a agir inadequadamente; passou a recusar um aprendizado crucial dessa faixa etária, que o colocaria em outro lugar que não de bebê- o aprendizado da leitura e escrita.
Nas sessões era comum que K. brincasse de faz de conta ao invés de jogos com regras, que seria mais apropriado para a faixa etária. Na medida em que construía essas brincadeiras, monstros comiam "meus bebês" (era como ela se referia aos bonecos menores) e nesse roteiro imaginário conseguiu realizar o desejo inconsciente (ou nem tanto) de não ter a irmã por perto e assim ocupar o lugar que antes era dela.
Paralela a essa escuta, ofereci a ela, num tempo oportuno, a oportunidade de viver a leitura e a escrita de uma forma prazerosa e lúdica. E ai, então os bebês do roteiro imaginário passaram a ser "mocinhos e mocinhas que sabem ler", como se refere K, neste momento, aos bonecos da caixa de brinquedo.
E a clínica segue.... não encerra... nem finda.... apenas segue seu curso.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Sexualidade e infância
Percebo que a questão da sexualidade na/da infância é deixada de lado pelos educadores e ao mesmo tempo, dicotomicamente, as famílias buscam respostas a questões cotidianas e levam para a clínica psicopedagógica essas dúvidas em forma de tabu.
Ao buscar em Freud, me deparo com a seguinte colocação (grifo meu) :
"Em meu ver, certas coisas são, em geral, exageradamente encobertas. É justo conservar
pura a imaginação de uma criança, mas não é a ignorância que irá preservar essa pureza. Ao
contrário, acho que a ocultação conduz o menino ou menina a suspeitar mais do que nunca da
verdade. A curiosidade nos leva a esmiuçar coisas que teriam pouco ou nenhum interesse para
nós, se tivéssemos sido informados com simplicidade. Se fosse possível manter essa ignorância
inalterada, eu poderia aceitá-la, mas isso é impossível. O convívio com outras crianças, as leituras
que induzem à reflexão e o mistério com que os pais cercam fatos que terminam por vir à tona,
tudo isso na verdade intensifica o desejo de conhecimento. Esse desejo, satisfeito apenas
parcialmente e em segredo, excita seu sentimento e corrompe sua imaginação... "O ESCLARECIMENTO SEXUAL DAS CRIANÇAS(CARTA ABERTA AO DR. M. FÜRST) (1907)
Estaríamos nós exagerando ao encobrir as informações ou invés de falarmos dela com simplicidade?
quarta-feira, 14 de março de 2012
Discussão sempre em pauta: quantas vezes na vida precisamos repetir uma coisa várias vezes para aprender melhor?
Alguns aspectos que
podem auxiliar nesta difícil decisão
Muitas vezes
nos perguntamos sobre a necessidade de manter uma criança na mesma série. E
nesse momento que muitos professores, coordenadores e profissionais envolvidos
com o tratamento de crianças com dificuldades de aprendizagem estão refletindo sobre
essa possibilidade.
Através dos
anos pude notar que, invariavelmente, essa questão é levantada e discutida
entre aqueles que são responsáveis por essas crianças e jovens que apresentam
algum tipo de desreguralidade em seu processo de aprender.
Muitas escolas
recorrem ao Psicopedagogo, questionando-o sobre essa possibilidade, o que me
faz refletir sobre os prós e os contras da reprovação para esses alunos.
Levanto a seguir
alguns aspectos que considero relevantes para essa tomada de decisão, baseados
em minha experiência.
Há três
grandes áreas, vamos assim chamar, que estão envolvidas no processo de aprendizagem:
a aprendizagem escolar propriamente dita, os relacionamentos e a afetividade permeada
nela.
A aprendizagem
escolar propriamente dita diz respeito aos conteúdos escolares que a
criança ou jovem em questão adquiriu ou
deveria ter adquirido e sobre eles podemos questionar: quais os conhecimento da
série atual são essenciais? Quais deles são prérequeisitos para a série
posterior? E ainda, quais o aprendiz conseguiu adquirir durante o ano que
passou? O que deveria ter aprendido e
não aprendeu? O que, em cada série (no caso a que está cursando atualmente e a
posterior), é determinante para que o aluno permaneça ou vá para nela? E principalmente:
ficando na série em que está ou indo para a próxima etapa, quais medidas a
escola fará para que haja aprendizagem na decisão tomada?
Aprendizagem
escolar
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Questão
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Reflexão
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Quais os conhecimentos da série
atual são essenciais?
|
Aqui é importante listar as
habilidades e competências essencias da série em questão.
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Quais deles são prérequeisitos
para a série posterior?
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E desses conhecimentos que são
essenciais, quais são necessários dominar para dar continuidade a
aprendizagem escolar.
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O que o aluno em questão
aprendeu durante o ano?
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Refletir sobre como o aluno
entrou na série e como está neste momento, tendo consciência dos avanços,
esforços e dificuldades determinam uma melhor decisão. Para tanto a
comparação dos materiais produzidos pelo aluno e as observações dos
professores são instrumentos eficazes.
|
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O que deveria ter aprendido e
não aprendeu?
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Depois de ter clareza do que o
aluno aprendeu, é necessário listar aquilo que deveria ter aprendido mas não
aprendeu. Ao fazer essa reflexão é importante correlacionar com os conteúdos
que são realmente importantes, já levantados no primeiro tópico.
|
|
O que, em cada série, é
determinante para que o aluno vá ou permaneça nela?
|
Levantando a hipótese de
permanecer na mesma série, o que a mesma oferecerá de aprendizagem
sigfnificativa para o aluno e o mesmo se o aluno progredir para a etapa
posterior: o que nela acrescentará ao aprendizado escolar desse sujeito.
|
|
Ficando na
série em que está ou indo para a próxima etapa, quais as medidas que a escola
tomará para que o aluno continue aprendendo a partir da decisão tomada?
|
Nesta questão, a escola,
juntamente com pais e profissionais precisam traçar objetivos para o próximo
ano, seja ele na série que for. Decisões como continuar com atendimentos,
criar estratégias de inclusão, flexibilizar o curriculo e orientar professores
são algumas medidas passíveis de serem tomadas.
|
Ao avaliarmos
nossos alunos temos o ímpeto de focar na aprendizagem escolar e em seus
conteúdos, mas os relacionamentos estabelecidos em sala de aula como laços de
amizade, rede de relações e afinidades e ainda como o grupo vê esse sujeito e
suas dificuldades são determinantes na decisão da reprovacão. Se um aluno é bem
acolhido, o grupo tende a judá-lo, compreende suas dificuldades e o inclui no
círculo social das relações, a reprovaçao pode não ser indicada. Pensando na
reprovação deve-se projetar as relações que poderão se estabelecer,
hipotetizando como o novo grupo, mais jovem, vai receber o novo aluno e se não
há discrepâncias físicas ou de interesses sociais que poderão gerar conflito.
Relacionamentos
|
Questão
|
Reflexão
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Como são os relacionamentos
estabelecidos na turma atual?
|
Uma observaçao mais atenta do
professor, principalmente em momentos mais livres, dará uma noção mais
realista de como as crianças se relacionam. A presença do adulto inibi muitas
das reações que são expressas sem a presença dele.
|
|
Como a turma vê as dificuldades
do colega? Quais as reações mais frequentes?
|
Na sala de aula é fácil
perceber como o grupo atual entende a dificuldade do colega. A mediação do
professor diante de comentários ajudam a definir essa visão que o grupo
formou.
|
|
Acontecendo a reprovação como o
novo grupo irá acolher o sujeito com suas dificuldades? Quais as diferenças
e/ou afinidades possíveis com o novo grupo?
|
Observar as caracteristicas do
grupo no qual o aluno fará parte, conversar com a professora atual desse
grupo, verificar a presença de outros alunos com dificuldade e traçar o
perfil desse grupo, reunindo assim fatores que ajudem a determinar como será
as relações em um novo grupo.
|
|
E mais uma vez: o que a escola
fará para acolher e incluir no grupo esse sujeito, independente do grupo no
qual estará?
|
Volto a repetir a necessidade
de projetar ações que ajudem a incluir o aluno em questão no grupo em que
está inserido uma vez que a aprendizagem só acontece através das relações com
outros individuos e com o grupo.
|
O ser humano é
afetivo por excelência. Sempre tocado por sentimentos e emoções e não é
diferente na escola e nas relações de aprendizagem. Ser “reprovado” é um peso
muito grande para uma criança e uma família. A maneira como a escola trata o
assunto, encaminha as reuniões com os pais, as rodas de conversa com a turma
podem atenuar o sentimento de fracasso. Costumo me referir a reprovação como continuar fazendo a mesma série, porque
cada criança tem um ritmo e necessidades diferentes e como educadores
conscientes que somos, saberemos transmitir aos pais e crianças essas
diferenças e tocá-los a ponto de entender a necessidade de fazer mais uma vez a
mesma série.
Afetividade
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Questão
|
Reflexão
|
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Como foi encaminhado durante o
ano a comunicação com os pais sobre as dificuldades do filho?
|
Quando uma reprovaçao acontece,
a criança dá sinais de suas dificuldades desde muito cedo, até mesmo na série
anterior. É dever da escola comunicar claramente essas dificuldades, além de
discutí-las e pedir ajuda a um profissional (como o psicologo ou o
psicopedagogo), se achar necessário.
|
|
De que forma e quando é o
melhor momento para comunicar a reprovaçao ou a continuidade mesmo com as
dificuldades evidentes?
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Durante as conversas durante o
ano é preciso deixar claro as dificuldades apresentadas. Muitas vezes não o
fazemos e desta forma a reprovaçao ao final do ano se torna inesperada, um
choque que vem carregado de sentimentos ruins como o fracasso. Demonstrar as
dificuldades em reuniões periódicas, em apontamentos nos cadernos e
atividades, na agenda entre outros meios de comunicar, ajudam a ir dosando a
notícia que poderá ser inevitável.
E a escola quando fazê-la, deve
manter-se firme nesta decisão.
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A criança em questão e seu
grupo também devem ser comunicados e ouvidos sobre o assunto?
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Muitas vezes nos esquecemos da
parte mais importante: a criança. Conversar com ela sobre essa decisão, sobre
os motivos envolvidos e necessidades vistas. Além de abrir para o grupo, se
assim a criança permitir, discutindo sentimentos e percepções, simplifica e
suavisa esse momento.
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Tentei neste texto
orientar, a partir de minha experiência como professora e psicopedagoga, a
difícil decisão de uma criança ou jovem continuar fazendo a mesma série. E o
encerro perguntando mais um pouco: quem nunca teve que repetir algo para
aprender? Um violinista passa horas em um único acorde, uma dançarina fica
meses ou até anos ensaindo uma peça, o novo motorista demora um bom tempo para
se tornar um bom motorista, e muitos outros exemplos se acrescentariam aqui.
Que bom que na
vida temos a oportunidade de fazer de novo!
Referências:
CHAMAT, Leila
Sara José. Relações Vinculares e Aprendizagem – Um Enfoque Psicopedagógico. São
Paulo: Vetor, 1997.
GRINBERG,
Leon, et al. Introdução às ideias de Bion. Rio de Janeiro: Imago editora, 1973.
SCOZ, Beatriz.
Psicopedagogia e Realidade escolar- O problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis:
Editora Vozes, 1999.
terça-feira, 13 de março de 2012
CAIXA DE TRABALHO
A caixa de trabalho é uma das vinculações primeiras do sujeito com o fazer psicopedagógico, é a partir dela que o aprendiz começa a ligar-se afetivamente com o novo ambiente e o profissional que o atende. Nela são colocadas jogos, diferentes materiais de uso pessoal, que ficarão no ambiente clínico e que, a cada visita serão usados.
A produção da caixa parte do desejo do sujeito aprendente. Na foto ao lado o paciente havia retornado de uma viagem à Brasília e quis retratar esse momento marcante de sua vida. Aproveitei para conversarmos sobre a capital nacional e seus monumentos.
Através da caixa, ao mesmo tempo que o sujeito deixa algo que é seu, também leva o sentido de que algo da própria clínica é dele. E nessa troca subjetiva, se constrói uma transferência que propicia o trabalho e por consequência o aprendizado.
segunda-feira, 12 de março de 2012
PROJETO DE TRABALHO
O Projeto de Trabalho é uma interessante intervenção Psicopedagógica. O sujeito, através do seu desejo e com a mediação do Psicopedagogo, pode superar suas dificuldades e produzir elementos riquíssimos. Veja um produto final, que iniciou com a produção da caixa de trabalho (outro instrumento psicopedagógico, que podemos falar mais tarde) e se transformou num belo projeto.O produto final abaixo pode propiciar ao sujeito uma considerável elevação da autoestima, além de ampliação do vocabulário, organização de idéias e pensamentos através da fala e da escrita. Ele pode, com a mediação adequada, progredir em suas funções cognitivas deficientes.
O processo de
produção da caixa
Eu
sou o D. e quis fazer uma caixa na Psicopedagoga, o nome dela é Raquel Romano.
Mas eu não queria uma caixa qualquer, queria uma caixa especial então resolvi
fazer um desenho do Naruto. Mal podia
imaginar o que iria acontecer, pois pensava que iria ficar ruim.
Agora vou contar para vocês como fiz a caixa!
Primeiro
imprimi uma foto do Naruto da internet mas tinha um problema: a foto era
pequena. E daí? Como iria fazer para aumentar a imagem? Minha secretária Raquel
me ensinou uma técnica que consiste em quadriculados sobre a imagem a ser
ampliada.
Comecei pintando o cabelo porque era
mais fácil já que ele ocupava um espaço maior, era só de uma cor e essa cor era
clara, se borrasse dava pra arrumar. Então eu pintei a faixa do cabelo, depois
o rosto, a gola, quando terminei de fazer o rosto eu pintei a roupa, o zíper e
tinha uma coisa muito interessante que era o fundo.
Meu Deus como eu iria pintar o fundo?!
Corria muitos riscos, podia borrar todo meu trabalho que levou muitas sessões.
Mas eu tive uma idéia! Eu copiei na impressora o desenho do mesmo
tamanho,recortei,colei com fita crepe e assim protegi minha obra .
Por ultimo pintei o fundo,quando
terminei tirei o papel e me surpreendi com o que vi: meu trabalho ficou muito
legal!
Para saber mais
BARBOSA, Laura Monte Serrat. O projeto de trabalho: Uma forma de atuação
psicopedagógica. Curitiba, 2003
Curso PEI, CDCP, Reuven Feuerstein,
quinta-feira, 8 de março de 2012
"Quem disse que eu tenho dislexia?" Foi a fala de G., então com 9 anos, após um ano de trabalho sistemático na clínica psicopedagógica. Com essa fala ele nos mostra que a partir do suposto saber depositado a ele através do psicopedagogo, ele pode acreditar em sua capacidade de aprender, movimentar-se a caminho da aprendizagem do letramento. G. chegou a clinica, desacreditado e "abandonado" pela escola e também por diferentes profissionais. Abandono esse relatado nas sessões pelos pais e por ele mesmo. Uma boa transferência possibilitou propostas de Projetos de Trabalho a partir de seu centros de interesse e desejos. Outra faceta da sua fala é a da patologização da aprendizagem. Uma vez rotulado como dislexo, G. não pode mais acreditar que podia aprender a ler e escrever, tampouco sua família conseguia "descolar" esse rótulo. Com as pequenas conquista produzidas, uma nova imagem de si para si e para os outros está sendo construída paulatinamente.
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