Costumo me referir ao laudo como uma "fotografia" do momento pelo qual o sujeito aprendente está passando.
Informe
Psicopedagógico
I) Dados de
identificação
Nome:V.
Idade: 12 anos e
6 meses
Sexo: Feminino
Escolaridade: 4ª
série do Ensino Fundamental de 8 anos
Data da
avaliação: ----/11/2009 a ----/01/2010
II) Motivo da Procura
A mãe da adolescente V. procurou a
AvaliaçãoPsicopedagógica devido a percepção de algumas dificuldades encontradas
pela mesma durante sua escolaridade, pricipalmente no que diz respeito a falta
de atenção e interesse pelos estudos. V. demonstra ainda, de acordo com a mãe,
uma lentidão para aprender.
Técnicas e estratégias utilizadas:
·
Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem,
·
Provas Pedagógicas,
·
Provas Piagetianas,
·
Provas Projetivas Psicopedagógicas,
·
Atividades lúdicas,
·
Análise do Material Escolar,
·
Anamnese.
III) Imagem do sujeito
A dificuldade de V. foi percebida no
início de sua alfabetização. No seu primeiro ano escolar formal já foi pontuado
à família a suposta dificuldade e desde então vem sendo investigada pela mesma
em diferentes especialistas. Num
primeiro momento, essa dificuldade era mais pontual no processo de aprendizagem
da leitura e da escrita e poderá estar associado a essa dificuldade inicial o
fato da cliente começar a falar aos 3 anos e meio e somente após entrar na
escola de Educação Infantil. Atualmente a dificuldade relatada pela mãe é mais
global, atingindo diferentes áreas do conhecimento.
V. fez outras diferentes avaliações entre 2006 e 2008. Incluindo:
neuropsicológica, neuropediatrica, oftalmológica, psicológica e
psicopedagógica, nesta ordem. Iniciou intervenção com o método PEI em meados de
2007.
Neste processo de avaliação chegou
ao consultório muito solicita e colaborou, fazendo prontamente o que lhe era
pedido. Apesar de muitas vezes precisar de um estímulo para começar e/ou terminar
as atividades propostas, perdendo facilmente a atenção, não depositando assim toda
a energia necessária para produzir adequadamente.
Na maioria das propostas demorou para começar, tendo como consequência
uma demora maior do que a esperada para terminar. Dispersou-se com facilidade e
sua atenção concentrada não foi o suficiente para uma produção de
qualidade. Muitas vezes precisou de
intervenção e respondeu muito bem diante de estímulos positivos.
Afetivamente mostra um bom vínculo
com a aprendizagem assistemática, interessa-se por aprender coisas diferentes,
utiliza da criatividade e de iniciativa para resolver problemas cotidianos.
Sente prazer em produzir e orgulha-se de suas produções. Mas esses sentimentos
positivos são observados em situações onde os objetos de conhecimento não estão
organizados de uma forma acadêmica.
Os vínculos demonstrados com a
aprendizagem sistemática (escolar) são negativos, deposita no outro (professor) o conhecimento
e a capacidade de aprender, afastando de si o saber. Sente-se inferiorizada,
inapta para produzir de acordo com aquilo que lhe é requerido na escola.
As provas piagetianas tem como
objetivo indicar o grau de aquisição de
algumas noções importantes para o desenvolvimento cognitivo, determinando o
nível de pensamento alcançado e ainda o nível de estrutura com que opera.
Vitória deveria estar no último nível de desenvolvimento cognitivo, ou seja, no
pensamento formal hipotético-dedudivo. Essa última etapa inicia-se na
adolescência e é um alçar vôo ao pensamento, onde deveria ser capaz de resolver
problemas através de diferentes situações, levantando hipóteses e
formulando um pensamento na qual se expõe o que se pretende provar, estabelecer
além de discutir com precisão, objetividade, sistematização, organização e
flexibilidade de pensamento. Mas Vitória se encontra na fase anterior, a operatória
concreta com resquícios da fase pré-operatória.
A fase operatória concreta tem como
característica a capacidade de solucionar um problema proposto através da ação
mental e a fase pré-operatória a resolução de problemas se dá através da ação
física. V., em alguns momento, utiliza a operação mental e em outros precisa do
material concreto para resolver os vários problemas propostos.
Diferentes provas foram aplicadas em V., começando com as apropriadas
para a faixa etária cronológica, as quais não se saiu bem. Retomando cada uma
das dimensões cognitivas (conservação, classificação e seriação) pode-se notar
que em diferentes situações ela consegue ter sucesso quando incentivada através
de estímulos positivos e mediações como a repetição da pergunta e indicativos
de caminhos mentais para operar.
Os conteúdos escolares investigados foram lógica, cálculo mental, sistema
de numeração decimal, algoritmo das operações, resolução de problemas, produção
escrita e leitura e interpretação. Um
indicativo que se repete em todos os conteúdos é o tempo utilizado pela Vitória
para começar a tarefa e terminá-la além da necessidade de constante intervenção
para que consiga executar as atividades propostas.
Em diferentes situações ela se mostrou desmotivada, dispersava-se com
facilidade e precisava de orientação diretiva do que e como fazer.
Em lógica teve a necessidade de repetir várias vezes o mesmo movimento do
jogo para compreender e ao perder desistiu de tentar. Lê e escreve corretamente
números com cinco algarismos sendo as três primeiras casas (dezena de milhar,
unidade de milhar e centena) ocupadas por números maiores que 0, já em
números com as casas das dezenas e
centenas ocupadas por zero não acertou. Possui poucos esquemas para calcular
mentalmente, o que dificulta na execução dos algoritmos matemáticos básicos
(adição, subtração, multiplicação e divisão), disse não saber resolver divisões
com dois algarismos no divisor. Quando questionada como resolveu cada uma das
propostas descreveu suas ações, após questionada sobre cada movimento, antes
disso relatou não saber explicar o que fez.
Em linguagem, leu um texto que trouxe sobre um filme e um jogo de
computador. Mesmo tendo lido mais de uma vez, ao questionada equivocou-se com
os dados do texto (que era informativo). Já com o texto narrativo conseguiu
estabelecer relações, compreender o sentido global do mesmo, entender a
seqüência temporal linear, separar fatos principais e secundários porém não
estabeleceu relação de casualidade entre os fatos. Todas as questões foram
colocadas para ela de forma oral.
Sua leitura oral é pontuada corretamente, com entonação adequada, com
algumas omissões de pontuação o que acarreta junção de frases. Sem deslocamento
de letras, sílabas, palavras ou frases.
Quando solicitada para produzir um texto escrito, demora consideravelmente
para iniciá-lo, apaga-o e ao final produz somente um parágrafo, com erros
ortográficos, gramaticais e de coerência anteriores a sua escolaridade. Ao ser
comparado com suas produções da escola pode-se notar que as da última são
melhor elaboradas.
V. apresenta características de déficit de atenção interdependente de
questões afetivas e cognitivas. Ninguém pode aprender mais do que sua estrutura
cognoscente permite, tampouco consegue avançar em suas aprendizagens com os
vínculos afetivos inadequados.
IV)
Indicações:
- Atendimento Psicológico familiar,
- Atendimento Psicopedagógico,
- Avaliação neurológica.
V) Prognóstico:
Sabemos que entre as indicações
ideais e as possibilidades reais há uma diferença. Diferença esta que deve ser
levada em conta em respeito a família envolvida. Todas as indicações são
importantes porém a família deverá ter
persistência a partir da escolha feita, poupando V. de mais avaliações
desnecessárias e oferecendo a ela o melhor suporte possível.
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Raquel Romano de Lima
Pedagoga/Psicopedagoga

