quinta-feira, 29 de março de 2012

Psicopedagogia e Psicanálise- Encontros possíveis e influências (in) diretas.

      

               Estava eu a pensar, pra variar.... A Psicopedagogia é algo que diz do diagnóstico, do laudo, da certeza de alguma coisa achar na investigação dos processos de aprendizagem do sujeito. Até aí, tudo bem. Mas tem um resto, nem sempre o que encontramos é o que deseja ser encontrado. Nem sempre o diagnóstico é possível e para mim é sempre questionável, pelo simples fato que, todos os meus pacientes que entraram em trabalho, após o diagnóstico, muitas outras coisa mais importante se postaram, acima e além do diagnóstico. Já a Psicanálise, põe dúvida, ouve onde não é dito (atos falhos, chistes...), vê cada sujeito como único, sem pressupor nada a seu respeito, muito menos o enquadramento dentro dessa ou daquela patologia da aprendizagem. E para culminar, meus pensamento se deparam com os do Leandro de Lajonquière em Infância e Infanticidio:

 O falar de das necessidades e interesses da criança é uma falaespecialista. Os especialistas crêem saber, graças a elucubrações científicas de ocasião, sobre as necessidades e interesses “da criança” ou de uma criança genérica. Em nome desse saber genérico, falam da criança a outros, ao Outro. Quando dirigem a palavra a uma criança, o fazem inevitavelmente em nome desse saber sem nome próprio. Portanto, não falam com uma criança. Este outro falar está em função do reconhecimento, por parte do velho, da própria implicação subjetiva em uma educação, quer dizer, de como é perlaborado aquele estrangeiro ao “si mesmo adulto”que o des/encontro com o pequeno ser realimenta.

                   Aqui Leandro nos chama a atenção sobre uma postura muito comum entre nós educadores: o de tratar a criança como estrangeira, aquela que pouco ou nada sabe desse mundo. Nós, especialistas, corremos o risco de falar  da criança e não para a criança.
                  Penso então aqui  na diferença entre Psicopedagogia e Psicanálise. A Psicopedagogia,  na sua maioria das vezes fala da criança- isso ocorre quando escrevemos um laudo, "encaixamos" a criança nesta ou naquela listagem de sintomas da aprendizagem a fim de ter uma ideia "sobre" ela e não com ela. Criamos sistemas de intervenção e juramos que é único, para aquela criança, mas na verdade é um apanhado de fazeres já feitos, que visam abrandar o sintoma. Faço essa crítica a mim mesma, que muitas vezes sou pega por essa armadilha pedagógica.
                Já na Psicanálise, tiramos nossas gravatas, como diria Lacan, e buscamos falar com a criança. E junto com ela, investigamos seus fantasmas, procuramos entender a formação de sua estrutura e propiciamos uma escuta atenta a tudo que ela trás. Independente de seu diagnóstico Psicopedagógico. 
              Dá certo? Ah, dá!! Cada dia que passa vejo que, com embasamento, discussões em pares, leituras e busca constante, dá certo! 

terça-feira, 20 de março de 2012

Fantasia e aprendizagem

                   A fantasia habita o mundo infantil de tal forma que ela mesma se confunde/funde com a realidade vivida. E essa fantasia, em alguns casos, pode influenciar positiva ou negativamente no processo de aprender. 
                 De acordo com Laplanche, em seu dicionário de psicanálise, fantasia é 
"...  Roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos a realização de um desejo e, em última análise, de um  desejo inconsciente."
              Se analisarmos essa definição do ponto de vista da clínica psicopedagógica, podemos ver claramente que a representação da realização do desejo se confunde com o desejo de aprender/viver novas experiências. 
             Vejamos o caso de K., 7  anos, que chegou a clínica com  dificuldade de ler e escrever. Com o passar do tempo, várias questões foram se somando a essa simples queixa: K. tinha uma irmã mais nova, muito querida pela família e com a chegada dessa irmã voltou a usar fraldas e se comportar como um bebê. Com o passar dos anos, atualmente a irmã tem 2 anos, esses comportamentos foram controlados pela própria mãe que os proibia fortemente. 
        K. deslocou seu sintoma, ao invés de produzir suas fezes em lugar inadequado (fraldas), e a agir inadequadamente; passou a recusar um aprendizado crucial dessa faixa etária, que o colocaria em outro lugar que não de bebê- o aprendizado da leitura e escrita. 
         Nas sessões era comum que K. brincasse  de faz de conta ao invés de jogos com regras, que seria mais apropriado para a faixa etária. Na medida em que construía essas brincadeiras, monstros comiam "meus bebês" (era como ela se referia aos bonecos menores) e nesse roteiro imaginário conseguiu realizar o desejo inconsciente (ou nem tanto) de não ter a irmã por perto e assim ocupar o lugar que antes era dela. 
        Paralela a essa escuta, ofereci a ela, num tempo oportuno, a oportunidade de viver a leitura e a escrita de uma forma prazerosa e lúdica. E ai, então os bebês do roteiro imaginário passaram a ser "mocinhos e mocinhas que sabem ler", como se refere K, neste momento, aos bonecos da caixa de brinquedo.
          E a clínica segue.... não encerra... nem finda.... apenas segue seu curso.  

quinta-feira, 15 de março de 2012


Sexualidade e infância

                             Percebo que a questão da sexualidade na/da infância é deixada de lado pelos educadores e ao mesmo tempo, dicotomicamente, as famílias buscam respostas a questões cotidianas e levam para a clínica psicopedagógica essas dúvidas em forma de tabu. 
                             Ao buscar em Freud, me deparo com a seguinte colocação (grifo meu) 


"Em meu ver, certas coisas são, em geral, exageradamente encobertas. É justo conservar
pura a imaginação de uma criança, mas não é a ignorância que irá preservar essa pureza. Ao
contrário, acho que a ocultação conduz o menino ou menina a suspeitar mais do que nunca da
verdade. A curiosidade nos leva a esmiuçar coisas que teriam pouco ou nenhum interesse para
nós, se tivéssemos sido informados com simplicidade. Se fosse possível manter essa ignorância
inalterada, eu poderia aceitá-la, mas isso é impossível. O convívio com outras crianças, as leituras
que induzem à reflexão e o mistério com que os pais cercam fatos que terminam por vir à tona,
tudo isso na verdade intensifica o desejo de conhecimento. Esse desejo, satisfeito apenas
parcialmente e em segredo, excita seu sentimento e corrompe sua imaginação... "O ESCLARECIMENTO SEXUAL DAS CRIANÇAS(CARTA ABERTA AO DR. M. FÜRST) (1907)

Estaríamos nós exagerando ao encobrir as informações ou invés de falarmos dela com simplicidade? 

quarta-feira, 14 de março de 2012


Discussão sempre em pauta: quantas vezes na vida precisamos repetir uma coisa várias vezes para aprender melhor?






APROVAR OU CONTINUAR NA MESMA SÉRIE?
Alguns aspectos que podem auxiliar nesta difícil decisão

Muitas vezes nos perguntamos sobre a necessidade de manter uma criança na mesma série. E nesse momento que muitos professores, coordenadores e profissionais envolvidos com o tratamento de crianças com dificuldades de aprendizagem estão refletindo sobre essa possibilidade.
Através dos anos pude notar que, invariavelmente, essa questão é levantada e discutida entre aqueles que são responsáveis por essas crianças e jovens que apresentam algum tipo de desreguralidade em seu processo de aprender.
Muitas escolas recorrem ao Psicopedagogo, questionando-o sobre essa possibilidade, o que me faz refletir sobre os prós e os contras da reprovação para esses alunos.
Levanto a seguir alguns aspectos que considero relevantes para essa tomada de decisão, baseados em minha experiência.
Há três grandes áreas, vamos assim chamar, que estão envolvidas no processo de aprendizagem: a aprendizagem escolar propriamente dita, os relacionamentos e a afetividade permeada nela.
A aprendizagem escolar propriamente dita diz respeito aos conteúdos escolares que a criança  ou jovem em questão adquiriu ou deveria ter adquirido e sobre eles podemos questionar: quais os conhecimento da série atual são essenciais? Quais deles são prérequeisitos para a série posterior? E ainda, quais o aprendiz conseguiu adquirir durante o ano que passou?  O que deveria ter aprendido e não aprendeu? O que, em cada série (no caso a que está cursando atualmente e a posterior), é determinante para que o aluno permaneça ou vá para nela? E principalmente: ficando na série em que está ou indo para a próxima etapa, quais medidas a escola fará para que haja aprendizagem na decisão tomada?

Aprendizagem escolar
Questão
Reflexão
Quais os conhecimentos da série atual são essenciais?
Aqui é importante listar as habilidades e competências essencias da série em questão.
Quais deles são prérequeisitos para a série posterior?
E desses conhecimentos que são essenciais, quais são necessários dominar para dar continuidade a aprendizagem escolar.
O que o aluno em questão aprendeu durante o ano?
Refletir sobre como o aluno entrou na série e como está neste momento, tendo consciência dos avanços, esforços e dificuldades determinam uma melhor decisão. Para tanto a comparação dos materiais produzidos pelo aluno e as observações dos professores são instrumentos eficazes.
O que deveria ter aprendido e não aprendeu?
Depois de ter clareza do que o aluno aprendeu, é necessário listar aquilo que deveria ter aprendido mas não aprendeu. Ao fazer essa reflexão é importante correlacionar com os conteúdos que são realmente importantes, já levantados no primeiro tópico.
O que, em cada série, é determinante para que o aluno vá ou permaneça nela?
Levantando a hipótese de permanecer na mesma série, o que a mesma oferecerá de aprendizagem sigfnificativa para o aluno e o mesmo se o aluno progredir para a etapa posterior: o que nela acrescentará ao aprendizado escolar desse sujeito.
Ficando na série em que está ou indo para a próxima etapa, quais as medidas que a escola tomará para que o aluno continue aprendendo a partir da decisão tomada?

Nesta questão, a escola, juntamente com pais e profissionais precisam traçar objetivos para o próximo ano, seja ele na série que for. Decisões como continuar com atendimentos, criar estratégias de inclusão, flexibilizar o curriculo e orientar professores são algumas medidas passíveis de serem tomadas.


Ao avaliarmos nossos alunos temos o ímpeto de focar na aprendizagem escolar e em seus conteúdos, mas os relacionamentos estabelecidos em sala de aula como laços de amizade, rede de relações e afinidades e ainda como o grupo vê esse sujeito e suas dificuldades são determinantes na decisão da reprovacão. Se um aluno é bem acolhido, o grupo tende a judá-lo, compreende suas dificuldades e o inclui no círculo social das relações, a reprovaçao pode não ser indicada. Pensando na reprovação deve-se projetar as relações que poderão se estabelecer, hipotetizando como o novo grupo, mais jovem, vai receber o novo aluno e se não há discrepâncias físicas ou de interesses sociais que poderão gerar conflito.

Relacionamentos
Questão
Reflexão
Como são os relacionamentos estabelecidos na turma atual?
Uma observaçao mais atenta do professor, principalmente em momentos mais livres, dará uma noção mais realista de como as crianças se relacionam. A presença do adulto inibi muitas das reações que são expressas sem a presença dele.
Como a turma vê as dificuldades do colega? Quais as reações mais frequentes?
Na sala de aula é fácil perceber como o grupo atual entende a dificuldade do colega. A mediação do professor diante de comentários ajudam a definir essa visão que o grupo formou.
Acontecendo a reprovação como o novo grupo irá acolher o sujeito com suas dificuldades? Quais as diferenças e/ou afinidades possíveis com o novo grupo?
Observar as caracteristicas do grupo no qual o aluno fará parte, conversar com a professora atual desse grupo, verificar a presença de outros alunos com dificuldade e traçar o perfil desse grupo, reunindo assim fatores que ajudem a determinar como será as relações em um novo grupo.
E mais uma vez: o que a escola fará para acolher e incluir no grupo esse sujeito, independente do grupo no qual estará?
Volto a repetir a necessidade de projetar ações que ajudem a incluir o aluno em questão no grupo em que está inserido uma vez que a aprendizagem só acontece através das relações com outros individuos e com o grupo. 

O ser humano é afetivo por excelência. Sempre tocado por sentimentos e emoções e não é diferente na escola e nas relações de aprendizagem. Ser “reprovado” é um peso muito grande para uma criança e uma família. A maneira como a escola trata o assunto, encaminha as reuniões com os pais, as rodas de conversa com a turma podem atenuar o sentimento de fracasso. Costumo me referir a reprovação como continuar fazendo a mesma série, porque cada criança tem um ritmo e necessidades diferentes e como educadores conscientes que somos, saberemos transmitir aos pais e crianças essas diferenças e tocá-los a ponto de entender a necessidade de fazer mais uma vez a mesma série.

Afetividade
Questão
Reflexão
Como foi encaminhado durante o ano a comunicação com os pais sobre as dificuldades do filho?
Quando uma reprovaçao acontece, a criança dá sinais de suas dificuldades desde muito cedo, até mesmo na série anterior. É dever da escola comunicar claramente essas dificuldades, além de discutí-las e pedir ajuda a um profissional (como o psicologo ou o psicopedagogo), se achar necessário.
De que forma e quando é o melhor momento para comunicar a reprovaçao ou a continuidade mesmo com as dificuldades evidentes?
Durante as conversas durante o ano é preciso deixar claro as dificuldades apresentadas. Muitas vezes não o fazemos e desta forma a reprovaçao ao final do ano se torna inesperada, um choque que vem carregado de sentimentos ruins como o fracasso. Demonstrar as dificuldades em reuniões periódicas, em apontamentos nos cadernos e atividades, na agenda entre outros meios de comunicar, ajudam a ir dosando a notícia que poderá ser inevitável.
E a escola quando fazê-la, deve manter-se firme nesta decisão.
A criança em questão e seu grupo também devem ser comunicados e ouvidos sobre o assunto?
Muitas vezes nos esquecemos da parte mais importante: a criança. Conversar com ela sobre essa decisão, sobre os motivos envolvidos e necessidades vistas. Além de abrir para o grupo, se assim a criança permitir, discutindo sentimentos e percepções, simplifica e suavisa esse momento.


Tentei neste texto orientar, a partir de minha experiência como professora e psicopedagoga, a difícil decisão de uma criança ou jovem continuar fazendo a mesma série. E o encerro perguntando mais um pouco: quem nunca teve que repetir algo para aprender? Um violinista passa horas em um único acorde, uma dançarina fica meses ou até anos ensaindo uma peça, o novo motorista demora um bom tempo para se tornar um bom motorista, e muitos outros exemplos se acrescentariam aqui.

Que bom que na vida temos a oportunidade de fazer de novo!

Referências:

CHAMAT, Leila Sara José. Relações Vinculares e Aprendizagem – Um Enfoque Psicopedagógico. São Paulo: Vetor, 1997.
GRINBERG, Leon, et al. Introdução às ideias de Bion. Rio de Janeiro: Imago editora, 1973.
SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e Realidade escolar- O problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis: Editora Vozes, 1999. 

terça-feira, 13 de março de 2012

CAIXA DE TRABALHO

                     A caixa de trabalho é uma das vinculações primeiras do sujeito com o fazer psicopedagógico, é a partir dela que o aprendiz começa a ligar-se afetivamente com o novo ambiente e o profissional que o atende. Nela são colocadas jogos, diferentes materiais de uso pessoal, que ficarão no ambiente clínico e que, a cada visita serão usados. 
                        A produção da caixa parte do desejo do sujeito aprendente. Na foto ao lado o paciente havia retornado de uma viagem à Brasília e quis retratar esse momento marcante de sua vida. Aproveitei para conversarmos sobre a capital nacional e seus monumentos.
                        Através da caixa, ao mesmo tempo que o sujeito deixa algo que é seu, também leva o sentido de que algo da própria clínica é dele. E nessa troca subjetiva, se constrói uma transferência que propicia o trabalho e por consequência o aprendizado. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

PROJETO DE TRABALHO                  
                         O Projeto de Trabalho é uma interessante intervenção Psicopedagógica. O sujeito, através do seu desejo e com a mediação do Psicopedagogo, pode superar suas dificuldades e produzir elementos riquíssimos. Veja um produto final, que iniciou com a produção da caixa de trabalho (outro instrumento psicopedagógico, que podemos falar mais tarde) e se transformou num belo projeto.
                        O produto final abaixo pode propiciar ao sujeito uma considerável elevação da autoestima, além de ampliação do vocabulário, organização de idéias e pensamentos através da fala e da escrita. Ele pode, com a mediação adequada, progredir em suas funções cognitivas deficientes.



O processo de produção da caixa
            Eu sou o D. e quis fazer uma caixa na Psicopedagoga, o nome dela é Raquel Romano. Mas eu não queria uma caixa qualquer, queria uma caixa especial então resolvi fazer um desenho do  Naruto. Mal podia imaginar o que iria acontecer, pois pensava que iria ficar ruim.


                  Agora vou contar para vocês como  fiz a caixa!
            Primeiro imprimi uma foto do Naruto da internet mas tinha um problema: a foto era pequena. E daí? Como iria fazer para aumentar a imagem? Minha secretária Raquel me ensinou uma técnica que consiste em quadriculados sobre a imagem a ser ampliada.



              Comecei pintando o cabelo porque era mais fácil já que ele ocupava um espaço maior, era só de uma cor e essa cor era clara, se borrasse dava pra arrumar. Então eu pintei a faixa do cabelo, depois o rosto, a gola, quando terminei de fazer o rosto eu pintei a roupa, o zíper e tinha uma coisa muito interessante que era o fundo.


                Meu Deus como eu iria pintar o fundo?! Corria muitos riscos, podia borrar todo meu trabalho que levou muitas sessões. Mas eu tive uma idéia! Eu copiei na impressora o desenho do mesmo tamanho,recortei,colei com fita crepe e assim protegi minha obra .




                                     Por ultimo pintei o fundo,quando terminei tirei o papel e me surpreendi com o que vi: meu trabalho ficou muito legal!



Para saber mais
BARBOSA, Laura Monte Serrat. O projeto de trabalho:   Uma forma de atuação 
psicopedagógica. Curitiba, 2003
Curso PEI, CDCP, Reuven Feuerstein, 


sábado, 10 de março de 2012



A aprendizagem é uma espécie de jogo que só ganha quem erra. Tela de Demétrio Cosola

quinta-feira, 8 de março de 2012

               "Quem disse que eu  tenho dislexia?" Foi a fala de G., então com 9 anos, após um ano de trabalho sistemático na clínica psicopedagógica. Com essa fala ele nos mostra que a partir do suposto saber depositado a ele através do psicopedagogo, ele pode acreditar em sua capacidade de aprender, movimentar-se a caminho da aprendizagem do letramento. G. chegou a clinica, desacreditado e "abandonado" pela escola e também por diferentes profissionais. Abandono esse relatado nas sessões pelos pais e por ele mesmo. Uma boa transferência possibilitou propostas de Projetos de Trabalho a partir de seu centros de interesse e desejos.               Outra faceta da sua fala é a da patologização da aprendizagem. Uma vez rotulado como dislexo, G. não pode mais acreditar que podia aprender a ler e escrever, tampouco sua família conseguia "descolar" esse rótulo. Com as pequenas conquista produzidas, uma nova imagem de si para si e para os outros está sendo construída paulatinamente.