terça-feira, 20 de março de 2012

Fantasia e aprendizagem

                   A fantasia habita o mundo infantil de tal forma que ela mesma se confunde/funde com a realidade vivida. E essa fantasia, em alguns casos, pode influenciar positiva ou negativamente no processo de aprender. 
                 De acordo com Laplanche, em seu dicionário de psicanálise, fantasia é 
"...  Roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos a realização de um desejo e, em última análise, de um  desejo inconsciente."
              Se analisarmos essa definição do ponto de vista da clínica psicopedagógica, podemos ver claramente que a representação da realização do desejo se confunde com o desejo de aprender/viver novas experiências. 
             Vejamos o caso de K., 7  anos, que chegou a clínica com  dificuldade de ler e escrever. Com o passar do tempo, várias questões foram se somando a essa simples queixa: K. tinha uma irmã mais nova, muito querida pela família e com a chegada dessa irmã voltou a usar fraldas e se comportar como um bebê. Com o passar dos anos, atualmente a irmã tem 2 anos, esses comportamentos foram controlados pela própria mãe que os proibia fortemente. 
        K. deslocou seu sintoma, ao invés de produzir suas fezes em lugar inadequado (fraldas), e a agir inadequadamente; passou a recusar um aprendizado crucial dessa faixa etária, que o colocaria em outro lugar que não de bebê- o aprendizado da leitura e escrita. 
         Nas sessões era comum que K. brincasse  de faz de conta ao invés de jogos com regras, que seria mais apropriado para a faixa etária. Na medida em que construía essas brincadeiras, monstros comiam "meus bebês" (era como ela se referia aos bonecos menores) e nesse roteiro imaginário conseguiu realizar o desejo inconsciente (ou nem tanto) de não ter a irmã por perto e assim ocupar o lugar que antes era dela. 
        Paralela a essa escuta, ofereci a ela, num tempo oportuno, a oportunidade de viver a leitura e a escrita de uma forma prazerosa e lúdica. E ai, então os bebês do roteiro imaginário passaram a ser "mocinhos e mocinhas que sabem ler", como se refere K, neste momento, aos bonecos da caixa de brinquedo.
          E a clínica segue.... não encerra... nem finda.... apenas segue seu curso.  

2 comentários:

  1. Olá Raquel continuo te seguindo,,,, sempre tentando aprender mais um pouco

    beijos
    Malu

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    1. Oi Malu!!! Vc quem deve ser seguida!! Contribua com ideias, sugestões, críticas!! Me ajude a pensar! Bjs

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