Entendo que aprender é um movimento constante, contínuo, sem fim, interminável que acontece em todos os lugares com todas as pessoas. Aprendemos quando vamos ao supermercado, quando nos casamos, temos filhos, lemos uma revista, conversamos com o vizinho. Mas para que isso aconteça precisamos estar abertos!
Imaginem vocês se houvesse uma pessoa responsável por nos dizer o que vai bem ou mal em cada uma dessas situações? E ainda mais, que cada erro fosse mais valorizado que o acerto?
O caminho supostamente errado nos corredores do supermercado, o olhar recriminador para o marido no jantar de família, as páginas puladas da revista, a indelicadeza com o vizinho, tudo apontado numa caderneta, transformado em notas abaixo do esperado.
Como estar aberto diante de tantas censuras?
A maioria das crianças e jovens que chegam a Clínica Psicopedagógica marcados por essas recriminações, acreditando que não são capazes de seguir em frente em suas aprendizagens. Nesse momento cabe ao Psicopedagogo, mais do que diagnosticar/classificar a dificuldade de aprendizagem, resgatar o sujeito aprendente.
Julia (nome fictício) é mais uma dessas crianças que "não consegue, não sabe, não aprende". Nega-se a ouvir uma orientação, obviamente porque a maioria que ouviu até então estão relacionadas a sua não aprendizagem. Neste momento me pergunto "o que ela sabe fazer? o que ela gosta de fazer? pelo que se interessa?"... Tintas! Paisagens! E a partir das tintas abre-se para a discussão de cores a serem utilizadas numa tela, para técnicas de pintura que ainda não conhece, para a voz do outro que a orienta para aprender uma coisa nova a partir de seu centro de interesse.
Produção de Julia, 11 anos.
Interessante que após algumas sessões a escola e a família a percebe mais ouvinte das orientações para fazer uma tarefa ou estudar.
Talvez aí reside o ponto no qual a clínica deve movimentar-se- OUVIR!
Claro que aprendi isso com outro (s)....
