Estava eu a pensar, pra variar.... A Psicopedagogia é algo que diz do diagnóstico, do laudo, da certeza de alguma coisa achar na investigação dos processos de aprendizagem do sujeito. Até aí, tudo bem. Mas tem um resto, nem sempre o que encontramos é o que deseja ser encontrado. Nem sempre o diagnóstico é possível e para mim é sempre questionável, pelo simples fato que, todos os meus pacientes que entraram em trabalho, após o diagnóstico, muitas outras coisa mais importante se postaram, acima e além do diagnóstico. Já a Psicanálise, põe dúvida, ouve onde não é dito (atos falhos, chistes...), vê cada sujeito como único, sem pressupor nada a seu respeito, muito menos o enquadramento dentro dessa ou daquela patologia da aprendizagem. E para culminar, meus pensamento se deparam com os do Leandro de Lajonquière em Infância e Infanticidio:
O falar de das necessidades e interesses da criança é uma falaespecialista. Os especialistas crêem saber, graças a elucubrações científicas de ocasião, sobre as necessidades e interesses “da criança” ou de uma criança genérica. Em nome desse saber genérico, falam da criança a outros, ao Outro. Quando dirigem a palavra a uma criança, o fazem inevitavelmente em nome desse saber sem nome próprio. Portanto, não falam com uma criança. Este outro falar está em função do reconhecimento, por parte do velho, da própria implicação subjetiva em uma educação, quer dizer, de como é perlaborado aquele estrangeiro ao “si mesmo adulto”que o des/encontro com o pequeno ser realimenta.
Aqui Leandro nos chama a atenção sobre uma postura muito comum entre nós educadores: o de tratar a criança como estrangeira, aquela que pouco ou nada sabe desse mundo. Nós, especialistas, corremos o risco de falar da criança e não para a criança.
Penso então aqui na diferença entre Psicopedagogia e Psicanálise. A Psicopedagogia, na sua maioria das vezes fala da criança- isso ocorre quando escrevemos um laudo, "encaixamos" a criança nesta ou naquela listagem de sintomas da aprendizagem a fim de ter uma ideia "sobre" ela e não com ela. Criamos sistemas de intervenção e juramos que é único, para aquela criança, mas na verdade é um apanhado de fazeres já feitos, que visam abrandar o sintoma. Faço essa crítica a mim mesma, que muitas vezes sou pega por essa armadilha pedagógica.
Já na Psicanálise, tiramos nossas gravatas, como diria Lacan, e buscamos falar com a criança. E junto com ela, investigamos seus fantasmas, procuramos entender a formação de sua estrutura e propiciamos uma escuta atenta a tudo que ela trás. Independente de seu diagnóstico Psicopedagógico.
Dá certo? Ah, dá!! Cada dia que passa vejo que, com embasamento, discussões em pares, leituras e busca constante, dá certo!

Ah psicopedagogia e psicanálise, são práticas que andam lado a lado mas não juntas, pois veem as coisas por angulos diferentes! Sendo assim é possivel junta-las? é possivel abrir a gaveta de cada criança e montar um diagnostico com essas gavetas, se utilizando da participação do paciente para resolver seus problemas de aprendizagem? se utilizando das coisas que cada criança trás em si? e lá vamos nós....
ResponderExcluirAdorei o texto!
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