quinta-feira, 15 de março de 2012


Sexualidade e infância

                             Percebo que a questão da sexualidade na/da infância é deixada de lado pelos educadores e ao mesmo tempo, dicotomicamente, as famílias buscam respostas a questões cotidianas e levam para a clínica psicopedagógica essas dúvidas em forma de tabu. 
                             Ao buscar em Freud, me deparo com a seguinte colocação (grifo meu) 


"Em meu ver, certas coisas são, em geral, exageradamente encobertas. É justo conservar
pura a imaginação de uma criança, mas não é a ignorância que irá preservar essa pureza. Ao
contrário, acho que a ocultação conduz o menino ou menina a suspeitar mais do que nunca da
verdade. A curiosidade nos leva a esmiuçar coisas que teriam pouco ou nenhum interesse para
nós, se tivéssemos sido informados com simplicidade. Se fosse possível manter essa ignorância
inalterada, eu poderia aceitá-la, mas isso é impossível. O convívio com outras crianças, as leituras
que induzem à reflexão e o mistério com que os pais cercam fatos que terminam por vir à tona,
tudo isso na verdade intensifica o desejo de conhecimento. Esse desejo, satisfeito apenas
parcialmente e em segredo, excita seu sentimento e corrompe sua imaginação... "O ESCLARECIMENTO SEXUAL DAS CRIANÇAS(CARTA ABERTA AO DR. M. FÜRST) (1907)

Estaríamos nós exagerando ao encobrir as informações ou invés de falarmos dela com simplicidade? 

Um comentário:

  1. Ao ler "seus pensamentos", penso no mito que o ser humano busca para sobreviver às suas lembranças encobridoras, ou à seus fantasmas e às vezes, à sua própria sexualidades.
    Rachel Cantelli

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