Sexualidade e infância
Percebo que a questão da sexualidade na/da infância é deixada de lado pelos educadores e ao mesmo tempo, dicotomicamente, as famílias buscam respostas a questões cotidianas e levam para a clínica psicopedagógica essas dúvidas em forma de tabu.
Ao buscar em Freud, me deparo com a seguinte colocação (grifo meu) :
"Em meu ver, certas coisas são, em geral, exageradamente encobertas. É justo conservar
pura a imaginação de uma criança, mas não é a ignorância que irá preservar essa pureza. Ao
contrário, acho que a ocultação conduz o menino ou menina a suspeitar mais do que nunca da
verdade. A curiosidade nos leva a esmiuçar coisas que teriam pouco ou nenhum interesse para
nós, se tivéssemos sido informados com simplicidade. Se fosse possível manter essa ignorância
inalterada, eu poderia aceitá-la, mas isso é impossível. O convívio com outras crianças, as leituras
que induzem à reflexão e o mistério com que os pais cercam fatos que terminam por vir à tona,
tudo isso na verdade intensifica o desejo de conhecimento. Esse desejo, satisfeito apenas
parcialmente e em segredo, excita seu sentimento e corrompe sua imaginação... "O ESCLARECIMENTO SEXUAL DAS CRIANÇAS(CARTA ABERTA AO DR. M. FÜRST) (1907)
Estaríamos nós exagerando ao encobrir as informações ou invés de falarmos dela com simplicidade?

Ao ler "seus pensamentos", penso no mito que o ser humano busca para sobreviver às suas lembranças encobridoras, ou à seus fantasmas e às vezes, à sua própria sexualidades.
ResponderExcluirRachel Cantelli