Televisão, para minha surpresa, significa tele (distante) e vision (visão). A televisão é uma distante visão que se tem das coisas postas ali. Se está distante, pode diferir consideravelmente do que é de fato e causar uma distorção da realidade transmitida. A partir dai podemos abrir uma reflexão sobre essa influência (de visão distante) na vida do sujeito aprendente.
J. tem 7 anos e um iphone. Não sabe ler e escrever muito bem, mas baixa aplicativos como ninguém.
J. tem 7 anos e um iphone. Não sabe ler e escrever muito bem, mas baixa aplicativos como ninguém.
B. tem 10 anos e a coleção completa das bonecas vampiras. Seu relacionamento na escola não é muito bom, mas sua persuasão com os adultos é bem interessante.
F. tem 12 anos. Acabou de ganhar um laptop, melhor que esse que eu uso, de acordo com ele. Sua capacidade lógica deixa a desejar, mas já publicou seu perfil em todas as redes sociais.
Podemos concluir, então, que a televisão destrói a linha divisória entre infância e idade adulta de três maneiras, todas relacionadas com sua acessibilidade indiferenciada; primeiro, porque não requer treinamento para apreender sua forma; segundo porque não faz exigências complexas nem a mente nem ao comportamento; e terceiro porque não segrega seu público.
Neil Postman. O desaparecimento da infância. p. 94

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